Os contos de fada e o sagrado
uma abordagem para a educação infantil
Palavras-chave:
Conto de fada, Contação de história, Antroposofia, Sagrado, Psicologia analítica, Primeiro setênioResumo
O artigo estabelece diálogos entre diferentes abordagens sobre o tema do conto de fada, cujo objetivo é demonstrar a ligação desses pontos de vista com os aspectos humanos e humanizadores que este gênero carrega, como a própria linguagem e as imagens arquetípicas ancestrais que nos permitem enxergar o conto de fada como sendo algo sagrado, além de simbólico imagético. Com este intuito, estabeleceu-se uma pesquisa bibliográfica que correlaciona e aproxima visões filosóficas, psicológicas e antroposóficas a respeito das narrativas e da narração na educação infantil, ampliando o olhar dos educadores contadores de histórias quanto à sua própria relação com os contos de fada autênticos e a forma de transmiti-los para crianças pequenas em pleno processo de desenvolvimento. Constata-se, a partir das diversas referências, a importância dos contos de fada como nutriente psíquico, no âmbito da psicologia analítica, tal qual alimento anímico no contexto antroposófico, capaz de nutrir todo e qualquer ser humano fazendo-se essencial assim como o leite materno para a criança na primeira infância. Destacou-se, também, o significativo papel do educador-contador na criação de vínculos com as crianças e no apoio à sua formação, desde a escolha dos contos a serem narrados, passando pelo cultivo interior das imagens contidas no conto escolhido, durante a ambientação, chegando até a contação em si, que é feita de coração para coração como um presente sagrado que precisa ser entregue ritualisticamente.
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